Aneurismas


O que é? ___________________________

Um aneurisma é uma dilatação anormal e permanente de uma artéria.

Com o tempo, a parede do vaso perde resistência e se expande, como se fosse um “ponto fraco” que vai cedendo.

Os aneurismas podem ocorrer em diferentes regiões:

  • Aorta abdominal (o mais comum)
  • Aorta torácica descendente
  • Artérias periféricas (femoral, poplítea, ilíacas, subclávia)
  • Artérias viscerais (renal, esplênica, hepática, mesentéricas)

Quando crescem demais, podem romper ou formar coágulos, causando complicações graves.

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Fatores de risco ___________________________

Os aneurismas arteriais geralmente se desenvolvem ao longo de anos. Os principais fatores que enfraquecem a parede das artérias são:

  • Idade avançada
  • Tabagismo (o fator mais fortemente associado)
  • Histórico familiar de aneurisma
  • Hipertensão arterial
  • Aterosclerose
  • Doenças do tecido conjuntivo (como síndrome de Marfan ou Ehlers-Danlos)
  • Sexo masculino (maior prevalência, especialmente para aneurisma de aorta abdominal)
  • Colesterol alto e sedentarismo (indiretamente, por piorarem a saúde vascular)

O tabagismo e a idade são, de longe, os fatores mais relevantes para aneurisma de aorta abdominal.

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Ocorrência e riscos envolvidos ___________________

Onde são mais comuns?

  • Aneurisma de aorta abdominal (AAA): é o tipo mais frequente.
  • Aneurisma de artéria poplítea: o mais comum entre os periféricos.
  • Aneurisma de artéria esplênica: o mais comum entre os viscerais.

Quais são os principais riscos?

  1. Ruptura
    • O risco aumenta conforme o aneurisma cresce.
    • A ruptura da aorta é uma emergência com alta mortalidade.
  1. Trombose e embolização
    • Fragmentos de coágulos podem se desprender e obstruir artérias menores.
    • Isso é especialmente comum nos aneurismas periféricos, como o poplíteo.
  1. Compressão de estruturas vizinhas
    • Pode causar dor, inchaço ou sintomas específicos dependendo da localização.
  1. Isquemia de membros ou órgãos
    • Aneurismas viscerais podem comprometer rins, baço, fígado ou intestino.

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Sintomas ___________________________


A maioria dos aneurismas não causa sintomas até que cresçam muito ou compliquem. Por isso, muitos são descobertos em exames de rotina.

Quando há sintomas, eles variam conforme a localização:

Aorta abdominal

  • Dor abdominal ou lombar persistente
  • Sensação de “massa pulsátil” no abdome
  • Dor súbita e intensa (sinal de ruptura)

Aorta torácica descendente

  • Dor no peito ou nas costas
  • Rouquidão ou dificuldade para engolir (compressão)

Aneurismas periféricos

  • Inchaço ou massa pulsátil no membro
  • Dormência, formigamento ou dor ao caminhar
  • Sinais de isquemia aguda se houver trombose

Aneurismas viscerais

  • Dor abdominal localizada
  • Náuseas ou desconforto pós-prandial
  • Em muitos casos, totalmente assintomáticos

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Tratamento ___________________________


O tratamento depende do tamanho, localização, crescimento e presença de sintomas.

A) Acompanhamento clínico

Indicado para aneurismas pequenos e estáveis.

Inclui:

  • Controle rigoroso da pressão arterial
  • Parar de fumar
  • Controle do colesterol
  • Ultrassom ou tomografia periódicos
  • Estilo de vida saudável

O objetivo é evitar crescimento e reduzir risco de ruptura.

B) Tratamento intervencionista

Indicado quando:

  • O aneurisma atinge tamanho crítico
  • Cresce rapidamente
  • Causa sintomas
  • Apresenta risco elevado de ruptura ou trombose

Existem duas abordagens principais:

1. Cirurgia aberta

  • Substituição da área dilatada por um enxerto sintético.
  • Técnica tradicional, ainda muito utilizada em casos específicos.

2. Tratamento endovascular

  • Colocação de uma endoprótese (stent-graft) por dentro da artéria.
  • Menos invasivo, recuperação mais rápida.
  • Muito utilizado para aneurismas de aorta e alguns periféricos/viscerais.

A escolha depende da anatomia, idade, comorbidades e experiência da equipe.

Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP)



O que é? ___________________________

Trata-se da obstrução da passagem do sangue nas artérias, provocando a redução da oferta de oxigênio e nutrientes para órgãos e tecidos. Ocorre mais frequentemente nas artérias dos membros inferiores, mas pode ocorrer nos membros superiores, e tem analogia com a doença obstrutiva das artérias coronarianas, no coração, com a doença obstrutiva cérebro-vascular, sobretudo nas carótidas, assim como, com a doença obstrutiva das artérias viscerais. 

Causas _____________________________

A causa mais frequente da Doença Obstrutiva Arterial Periférica (DAOP) é a aterosclerose, condição decorrente do acúmulo de placas de ateroma nos vasos, gerando diminuição da luz e, consequentemente, obstrução arterial. Outras causas bem menos frequentes estão relacionadas aos fenômenos embólicos, vasculites, uso de drogas, trombofilias, sepse, entre outros.

Sintomas ___________________________

Os sintomas relacionados à DAOP podem variar num amplo espectro, desde pacientes assintomáticos até pacientes com gangrena de membro.
Mais comumente os sintomas se iniciam com "claudicação intermitente", que se manifesta pela dor muscular ao caminhar, de inicio progressivo, relacionada à distância percorrida, mais comum em panturrilhas e que logo cessa quando se interrompe o exercício.
Outros sinais e sintomas que indicam comprometimento da circulação arterial, são: perda dos pelos das pernas, atrofia e perda das unhas, vermelhidão excessiva dos pés ou dedos, cianose, impotência sexual nos homens, entre outros.
Pacientes com dor de repouso ou com feridas em extremidades que não cicatrizam devem procurar um cirurgião vascular com brevidade.

Diagnóstico ___________________________

O diagnóstico da DAOP pode ser definido com base apenas na história clínica e no exame físico do paciente, realizado por profissional capacitado.
Exames realizados no laboratório vascular, em especial a aferição do índice tornozelo-braço e o exame de ecocolordoppler, complementam a investigação diagnóstica, permitindo definir conduta e aferir um prognóstico. Exames complementares mais elaborados como angioRNM, angioTC e arteriografia podem ser necessários para planejamento cirúrgico.

Tratamento _____________________________

O tratamento inicial se baseia no controle dos fatores de risco, como controle do colesterol e triglicerídeo, interrupção do tabagismo, estabilização da pressão arterial, controle do níveis de açúcar no sangue, perda de peso e combate ao sedentarismo.

Nos pacientes com claudicação intermitente deve-se iniciar o uso de vasodilatadores e antiagregantes plaquetários, associado a uma rotina frequente de caminhadas.
Nos casos mais graves, com claudicação incapacitante, dor de repouso ou gangrena de extremidade, o tratamento cirúrgico deverá ser considerado.

Doença das Carótidas e Vertebrais

 


O que é? ___________________________

As artérias carótidas são vasos localizados no pescoço que levam sangue rico em oxigênio para o cérebro.

A doença obstrutiva de carótida acontece quando essas artérias ficam estreitadas, dificultando a passagem do sangue. Em geral, isto ocorre devido ao depósito de gordura e cálcio na parede da artéria, podendo levar à formação de placas obstrutivas e, também a um processo de inflamação crônica, processo este chamado de ATEROESCLEROSE.

Quando a passagem de sangue diminui ou quando fragmentos dessas placas obstrutivas se soltam, podem levar à um acidente vascular cerbral (AVC) ou encefálico (AVE), leigamente denominado "derrame".


Faterores de Risco _____________________________

Os principais fators de risco para a ocorrência de doença obstrutiva de carótida são:
  • Tabagismo
  • Colesterol elevado
  • Hipertensão arterial
  • Diabetes
  • Sedentarismo
  • Obesidade
  • Histórico familiar de doença cardiovascular
  • Idade avançada

Esses fatores aceleram o desgaste das artérias e favorecem o depósito de gordura em suas paredes.

Ocorrência ___________________________

A doença é mais comum a partir dos 60 anos, especialmente em pessoas com múltiplos fatores de risco cardiovascular.

Quanto maior o grau de obstrução, maior o risco. Mas mesmo placas menores podem causar AVC se fragmentarem.


Sintomas ___________________________

A doença tem evolução "silenciosa".
A maioria das pessoas não sente nada até que ocorra um evento neurológico.

Quando os sintomas ocorrem se manifestam de forma aguda, podendo ser fugaz ou mais definitivos, ou ainda, podem ter uma evolução insidiosa e crônica.
Desta forma, podem ser classificados como:

    • AVC (ou AVE) isquêmico, onde existe uma lesão neurológica definitiva, com ampla magnitude de manifestações clínicas;
    • Ataques isquêmicos transitórios (AIT), onde a lesão neurológica ou a repercussão da uma lesão neurológica é transitória, havendo recuperação completa do status neurológico em menos de 24h;
    • Comprometimento cognitivo progressivo, em decorrência a limitação progressiva e crônica da circulação cerebral, em geral, em casos avançados e de evolução prolongada.
    Os sitomas podem se manifestar da seguinte forms:
    • Fraqueza súbita em um lado do corpo
    • Dificuldade para falar ou entender
    • Perda de visão em um olho (“como se uma cortina descesse”)
    • Tontura ou desequilíbrio
    • Dormência repentina no rosto, braço ou perna

    Qualquer um desses sinais exige atendimento médico imediato.

    Tratamento _____________________________


    a escolha do tratamento depende do grau de obstrução e da presença de sintomas.


    A) Tratamento clínico (para casos baixo a moderado risco)

    • Controle rigoroso da pressão, colesterol e diabetes
    • Parar de fumar
    • Atividade física regular
    • Medicações que reduzem risco cardiovascular (orientadas por médico)

    O objetivo é evitar progressão da placa e reduzir o risco de AVC.


    B) Tratamento cirúrgico

    • Quando há uma obstrução grave identificada por método de imagem;

      • Quando existe sintoma relacionado que possa claramente estar associado à obstrução carotídea.

      Existem duas principais abordagens:


      1. Endarterectomia de carótida

      Cirurgia em que o cirurgião remove a placa diretamente da artéria.


      2. Angioplastia com stent

      Um cateter é introduzido remotamente através de uma artéria periférica, a artéria carótida é acessada através de um sistema de bainhas, cateteres e fios-guia, sendo então realizada uma angioplastia com implante de stent, com o intuito de abrir o lumen arterial permitindo a passagem do fluxo sanguineo.


      A escolha da técnica depende de fatores como anatomia da carótida, idade, comorbidades e experiência da equipe.

      Varizes e Insuficiência Venosa












      O que é? ___________________________

      A palavra VARIZ se origina do latim VARIX, que significa SERPENTE.
      As varizes são veias do sistema venoso superficial que se encontram alteradas e, muitas vezes, assumem um formato serpiginoso. Elas podem se encontrar dilatadas, tortuosas, com saculações, entre outros, caracterizando uma alteração funcional da circulação venosa no segmento afetado.

      Ocorrência _____________________________

      As varizes podem ocorrer em qualquer segmento do corpo, mas são muito mais frequentes nos membros inferiores.
      Estima-se que acometem cerca de 18% da população e que no Brasil acomete mais de 20 milhões de pessoas.
      Possui uma maior incidência no sexo feminino e são fatores predisponentes para o desenvolvimento de varizes: história familiar, obesidade, sedentarismo, tabagismo, gravidez, entre outros.
      Alguns trabalhos publicados têm associado o uso de anticoncepcionais e as terapias de reposição hormonal como fatores de risco para o desenvolvimento de varizes.

      Sintomas ___________________________

      As principais queixas clínicas relacionado as varizes de membros inferiores são: dor em “queimação”, “ cansaço” e sensação de peso nas pernas, edema (inchaço), principalmente ao redor do tornozelo, dor e ardência nos trajetos versos, entre outros. Frequentemente os sintomas relacionados as varizes melhoram com a elevação dos membros inferiores e tendem a agravar no fim do dia, quando se permanece por longo tempo em pé ou sentado, no calor, nos períodos menstruais e durante a gravidez.
      Algumas pacientes apesar de poucos sintomas clínicos, apresentam uma queixa estética importante, que comprometem o bem-estar e auto-imagem da paciente.

      Diagnóstico ___________________________

      O diagnóstico de varizes pode ser estabelecido a partir da história clínica e do exame físico. Exame de ecocolordoppler com frequência é realizado para mapeamento venoso e programação de uma eventual intervenção cirúrgica. 

      Tratamento _____________________________

      A definição do melhor tratamento para as varizes depende da sintomatologia apresentada, dos aspectos clínicos envolvidos, dos anseios da paciente e das características anatômicas e morfológicas da cada vaso varicoso.
      O tratamento clínico deve sempre ser empregado, conforme avaliação do Cirurgião Vascular, devendo-se considerar o controle dos fatores de riscos, a reeducação dos hábitos do dia-a-dia e hábitos posturais, a atividade física regular, uso de meia elástica e de medicações.
      Aqueles pacientes que mantem a sintomatologia a despeito do tratamento clínico ou que tem uma queixa estética importante, algum tipo de intervenção deve ser considerado.
      Pacientes com cordões varicosos, salientes e visíveis, que elevam a pele, ou aquelas pequenas veias “esverdeadsas” de trajeto tortuoso ou retilíneo são de tratamento cirúrgico. Já as telangiectasias ou aranhas vasculares, que são aqueles pequenos vasos vermelhos bem superficiais, podem ser tratados por escleroterapia, que é a injeção de uma solução esclerosante dentro destes vasos, com intuito de fazer com que eles desapareçam.
      Outras técnicas, como laser, radiofrequência ou espuma também podem ser empregados.
      As opções de tratamento são várias, portanto, as condutas devem ser individualizadas caso-a-caso, conforme avaliação médica.